...
Ele pegou a farinha no armário, mas ela não sabia onde estava a batedeira. Ele faz uma piada machista qualquer, um comentário sobre a inversão de papéis na sociedade moderna, mas com aquele sorriso que só ela sabe decifrar, abre a despensa e traz o eletrodoméstico ainda semiusado. A batedeira mora na última prateleira, e divide o espaço com o microprocessador de alimentos, o forninho elétrico zero quilômetros e a panela wok. Todos seres complicados demais para o mercado de trabalho. A sanduicheira costumava viver por ali, até ter sido descoberta como uma das maiores invenções do mundo moderno, e acabou colega de quarto do grill elétrico e do liquidificador.
Voltando à cena na cozinha, ela com o pacote de farinha (a de trigo) na mão, e eles continuam rindo da piada. Ela abre o pacote e fica com alguns fios de cabelo cobertos com aquele pó branco. Parece comédia romântica, e de comédia romântica sim ela entende. E gosta tanto que é capaz de assar um bolo para transformar sua vida em enredo. Ele, no entanto, está mais interessado na comida. Por isso, mede meticulosamente as xícaras de farinha. Prova o açúcar para ter certeza de que não é sal. É ele que sabe onde está o chocolate do Padre. E que quebra os ovos em um copo separado para evitar um desastre de proporções catastróficas.
Ela observa e no máximo ajuda um pouco. A função de assistente de chefe é perfeita: ela pode aprender o passo a passo da receita, mas prefere que ele sempre esteja junto.
Ele explica como rodar a tigela enquanto bate a massa, ela observa atentamente o contorno musculoso do seu braço. Ele unta a assadeira, ela o abraça por trás e dá um beijo de leve no pescoço.
Ele pré-aquece o forno, ela já está em ponto de ebulição.
Textos, crônicas, artigos, rascunhos, ficção, milk shake de idéias. O Lado B do meu LP.
quinta-feira, 15 de março de 2007
terça-feira, 13 de março de 2007
Não há você sem mim e eu não existo sem você
Não é todo dia que você encontra o amor da sua vida. Pode ser que aconteça uma única vez, e seja mais fulminante do que um ataque cardíaco! Pode ser que nunca aconteça. E pode ser que você encontre tantos amores, que acabe até se acostumando! Não tem regra, não tem garantias. Cada pessoa passa por isso de forma diferente e sempre vive para contar a história (diferente do ataque cardíaco!).
E antes que me perguntem como sabemos que aquela pessoa é mesmo o amor da nossa vida, já respondo: você sabe. Respondo com aquele conhecimento de causa que só quem não é psicólogo e não tem um pingo de conhecimento teórico sobre o assunto tem. O conhecimento de quem já passou por isso e tem esta certeza em cada pequeno ossinho do corpo. Você não conhece o grande amor da sua vida. Você reconhece! É como se vocês tivessem uma ligação tão anterior àquele momento, tão ancestral, que o olhar cruzado, o sorriso trocado e principalmente o toque são absolutamente familiares. É como voltar para casa, mas uma casa onde você nunca esteve antes.
O amor da sua vida não precisa ser eterno. Aliás, esta pressão da eternidade é que estraga um pouco o momento do reconhecimento. Você encontra a pessoa, olha nos olhos, sabe que é exatamente ELA, mas já entra na história com a nuvenzinha do “mas será que é para sempre?” rondando a cabeça. O amor da nossa vida pode durar exatos cinco minutos, contadinhos no relógio. Mas serão cinco minutos tão intensos, que terão gosto de eternidade.
Outro dia um amigo me disse que estava se preparando para a chegada da pessoa certa. Que se você não está preparado, seu grande amor pode passar na sua vida pelo menos dez vezes e não será reconhecido. Mas se você liga os radares e presta atenção, tudo pode ser mais imediato. Discordo em gênero, número e grau! Não há forma do amor da sua vida passar despercebido por você. Mesmo que você não queira, mesmo que não esteja preparado. E digo mais... as chances de acontecer quando você menos espera são muito maiores. Quando você não se prepara é que o furacão vem com maior intensidade, derrubando suas casas e fazendo com que suas vaquinhas fiquem rodopiando no ar. É quando você não está olhando para os dois lados que o caminhão vem e te atropela com tudo, te deixando inteiro quebrado, recolhendo seus pedacinhos pela estrada e tentando reencaixar como eram antes, mas sem sucesso. A chegada do grande amor da sua vida te deixa sempre com a sensação de estar totalmente desmontado, e com pecinhas faltando, justo aquelas que costumavam ser fundamentais na sua existência. Mas te garanto: elas não te farão falta!
Amar intensamente é como uma febre. Se você precisa do termômetro, é porque está, no máximo, em estado febril. Febre mesmo, febre alta, não tem meio termo: você treme de frio, tem dor no corpo inteiro, fica com a pele queimando de tão quente, sem forças para fazer muita coisa. Então, se você está com muita dúvida e desesperado por um termômetro para saber se está mesmo amando, provavelmente não está. Pode ser a pessoa mais maravilhosa do mundo, e pode ser que você escolha ficar com ela, mesmo para sempre. Mas não é o grande amor da sua vida.
Até porque, como já diziam Tom e Vinícius, todo grande amor só é bem grande se for triste. Tamanha intensidade muitas vezes pode significar um sofrimento de igual proporção. O amor da sua vida pode ser a pessoa mais errada do mundo para você. Encontra-lo, finalmente, pode significar que é exatamente o momento ideal para ficar um pouco sozinho. É uma experiência que mete um medo danado, que pode muito bem paralisar todas as ações, dos dois! Quem sabe? Como eu disse logo no começo, não há regras e nem garantias.
Mas uma coisa é certa. Ele chega para transformar a sua vida. Que seja para sempre ou não, feliz ou triste, certo ou errado, não importa. O que importa é que a sua vida não será mais a mesma. E é exatamente por isso que ele é tão importante. É exatamente por isso que ele é fundamental.
E antes que me perguntem como sabemos que aquela pessoa é mesmo o amor da nossa vida, já respondo: você sabe. Respondo com aquele conhecimento de causa que só quem não é psicólogo e não tem um pingo de conhecimento teórico sobre o assunto tem. O conhecimento de quem já passou por isso e tem esta certeza em cada pequeno ossinho do corpo. Você não conhece o grande amor da sua vida. Você reconhece! É como se vocês tivessem uma ligação tão anterior àquele momento, tão ancestral, que o olhar cruzado, o sorriso trocado e principalmente o toque são absolutamente familiares. É como voltar para casa, mas uma casa onde você nunca esteve antes.
O amor da sua vida não precisa ser eterno. Aliás, esta pressão da eternidade é que estraga um pouco o momento do reconhecimento. Você encontra a pessoa, olha nos olhos, sabe que é exatamente ELA, mas já entra na história com a nuvenzinha do “mas será que é para sempre?” rondando a cabeça. O amor da nossa vida pode durar exatos cinco minutos, contadinhos no relógio. Mas serão cinco minutos tão intensos, que terão gosto de eternidade.
Outro dia um amigo me disse que estava se preparando para a chegada da pessoa certa. Que se você não está preparado, seu grande amor pode passar na sua vida pelo menos dez vezes e não será reconhecido. Mas se você liga os radares e presta atenção, tudo pode ser mais imediato. Discordo em gênero, número e grau! Não há forma do amor da sua vida passar despercebido por você. Mesmo que você não queira, mesmo que não esteja preparado. E digo mais... as chances de acontecer quando você menos espera são muito maiores. Quando você não se prepara é que o furacão vem com maior intensidade, derrubando suas casas e fazendo com que suas vaquinhas fiquem rodopiando no ar. É quando você não está olhando para os dois lados que o caminhão vem e te atropela com tudo, te deixando inteiro quebrado, recolhendo seus pedacinhos pela estrada e tentando reencaixar como eram antes, mas sem sucesso. A chegada do grande amor da sua vida te deixa sempre com a sensação de estar totalmente desmontado, e com pecinhas faltando, justo aquelas que costumavam ser fundamentais na sua existência. Mas te garanto: elas não te farão falta!
Amar intensamente é como uma febre. Se você precisa do termômetro, é porque está, no máximo, em estado febril. Febre mesmo, febre alta, não tem meio termo: você treme de frio, tem dor no corpo inteiro, fica com a pele queimando de tão quente, sem forças para fazer muita coisa. Então, se você está com muita dúvida e desesperado por um termômetro para saber se está mesmo amando, provavelmente não está. Pode ser a pessoa mais maravilhosa do mundo, e pode ser que você escolha ficar com ela, mesmo para sempre. Mas não é o grande amor da sua vida.
Até porque, como já diziam Tom e Vinícius, todo grande amor só é bem grande se for triste. Tamanha intensidade muitas vezes pode significar um sofrimento de igual proporção. O amor da sua vida pode ser a pessoa mais errada do mundo para você. Encontra-lo, finalmente, pode significar que é exatamente o momento ideal para ficar um pouco sozinho. É uma experiência que mete um medo danado, que pode muito bem paralisar todas as ações, dos dois! Quem sabe? Como eu disse logo no começo, não há regras e nem garantias.
Mas uma coisa é certa. Ele chega para transformar a sua vida. Que seja para sempre ou não, feliz ou triste, certo ou errado, não importa. O que importa é que a sua vida não será mais a mesma. E é exatamente por isso que ele é tão importante. É exatamente por isso que ele é fundamental.
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